5 problemas gerados pela dificuldade de captação de investimentos em infraestrutura

5735dcb599c39-noticia_norma_da_receita_para_rever_cr_ditos_tribut_rios_prejudica_empresasA crise fiscal do Governo Federal já deixou de ser uma novidade faz tempo. Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central e sócio da A.C. Pastore & Associados, em artigo escrito para o Estadão sobre a retomada do crescimento do Brasil, aponta que “infelizmente, corremos o risco de que esta será a recessão mais profunda e mais longa dos últimos 25 anos”.

O Financiamento do Investimento em infraestrutura no Brasil, um estudo inédito realizado em julho/2016 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que a iniciativa privada foi responsável, em 2014, por 54,3% dos recursos destinados ao segmento (R$ 70,7 bilhões dos R$ 130,3 bilhões), embora a maior parte dos capitais tenha origem em empréstimos de entidades públicas. “O aumento da participação privada no aporte de capitais e na gestão de empreendimentos é imprescindível para que o país reverta o quadro de atraso”, afirma o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

De acordo com números divulgados pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) sobre os investimentos públicos e privados nos setores de infraestrutura entre 2003 e 2015, veja quais são os 5 principais problemas gerados pela dificuldade de captação de investimentos para os setores de infraestrutura:

1- Queda do investimento total: entre 2014 e 2015, os investimentos caíram 17% em números constantes. No setor de transportes, a diminuição do investimento público + privado foi de R$12 bilhões, seguida por R$6 bilhões na área de energia elétrica, R$1,7 bilhões em saneamento básico e R$6,4 bilhões em telecomunicações.

2- Queda do investimento público: o investimento anual total em infraestrutura no ano de 2015, em relação a 2014, caiu 6%, de 40% para 34%. O setor de energia elétrica foi o mais afetado, com baixa de 12 pontos percentuais no mesmo período.

3- Desvantagem no Ranking Setorial de Infraestrutura: com elaboração DPLEC-ABDIB a partir de dados do World Economic Forum, a posição do Brasil, considerando 1=melhor e 140=pior, em relação a infraestrutura geral é de número 123. Por setores, as posições também não são animadoras: rodovias (121), portos (120), ferrovias (98), energia elétrica (96) e aeroportos (95).

4- Relação (em % / PIB) deficiente nos investimentos: nos últimos 6 anos, o crescimento foi de apenas 0,5%. Segundo a Abdib, a retomada do investimento em infraestrutura na dimensão que a economia precisa – dos atuais 2,1% do PIB (cerca de R$ 130 bilhões) para 5,0% do PIB (cerca de R$ 300 bilhões) ao ano – vai depender da utilização de todas as fontes de financiamento disponíveis, o que inclui necessariamente recursos externos e o mercado de capitais interno, além das já tradicionais fontes oficiais.

5- Inferioridade no comparativo com países emergentes (% PIB): elaborado pela DPLEC-ABDIB, a partir de dados do World Economic Forum, Credit Suisse e International Institute for Management, o estudo mostra que enquanto China e Vietnã, respectivamente, investem 13,4% e 11,4% do seu PIB em infraestrutura, o Brasil fica atrás de Chile, Colômbia, Índia e Filipinas, com apenas 2,5%.

Para 2016, a Abdib projeta nova queda nos investimentos totais em infraestrutura. A previsão é de que o país deverá passar por uma redução que ainda não foi estimada, mas deverá ser o pior nível desde 2009, quando o valor ficou na casa de R$ 106,6 bilhões.

Diante dos números apresentados e cientes da necessidade de pôr a expansão dos investimentos na linha de frente das prioridades nacionais, fica a pergunta:

 Como fomentar a retomada dos investimentos em infraestrutura no Brasil?